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Ferramenta do criador

Calculadora de Consanguinidade

Cadastre suas aves com pai e mãe, escolha dois reprodutores e veja o grau de parentesco entre eles e a consanguinidade que o filhote teria. É o cálculo que evita repetir sangue sem perceber.

Passo 1

Cadastre o plantel

Primeiro cadastre pelo menos um macho e uma fêmea das gerações mais antigas que você conhece. Para essas aves fundadoras, deixe pai e mãe como desconhecidos. Depois cadastre os filhos e escolha, nas listas, o macho que é o pai e a fêmea que é a mãe.

Passo 2

Calcule o acasalamento

Escolha o galo e a galinha. O resultado é a consanguinidade do filhote que nasceria desse cruzamento.

Entendendo o número

Por que irmãos completos compartilham, em média, 50%

Em cada ponto do genoma, o galo possui duas cópias e a galinha também possui duas. Cada pintinho recebe uma cópia do galo e uma da galinha. O desenho abaixo mostra um único gene; os 50% aparecem como média quando consideramos o genoma inteiro.

Galo: duas cópias do gene
P1P2
passa apenas uma cópia
+
Galinha: duas cópias do gene
M1M2
passa apenas uma cópia

Quatro combinações possíveis para um pintinho neste gene:

P1M1
possibilidade 1
P1M2
possibilidade 2
P2M1
possibilidade 3
P2M2
possibilidade 4

Esses pares não representam oito aves nem quatro irmãos obrigatórios. Cada par mostra uma possibilidade para um pintinho. Em um gene específico, dois irmãos podem compartilhar nenhuma, uma ou as duas cópias herdadas. Considerando milhares de pontos do genoma, irmãos completos compartilham cerca de 50% em média. Se dois irmãos completos forem cruzados, o coeficiente de consanguinidade esperado no filhote é 25%, supondo pais não consanguíneos.

O perigo não é uma vez. É repetir.

Insistindo em cruzar irmão com irmã, geração após geração, a consanguinidade não fica nos 25% — ela se acumula.

1ª geração
25%
2ª geração
37,5%
3ª geração
50%
4ª geração
59%
5ª geração
67%

Muito antes de chegar perto de 100%, a fertilidade e a eclosão despencam e a linhagem se fecha sozinha. O risco não está no acasalamento consanguíneo feito de propósito, por uma geração — está em repetir sem ninguém somar.

Observação importante

Por que a fertilidade e a eclosão caem

A consanguinidade não estraga a aparência da ave. O que ela atrapalha é a reprodução, e isso acontece por duas razões que costumam vir juntas.

A primeira é que os defeitos escondidos aparecem. Toda linhagem carrega genes ruins recessivos, e alguns deles são letais. Enquanto a ave tem uma cópia boa e uma ruim, a boa comanda e ninguém percebe nada. Quando o pai e a mãe são parentes, cresce a chance de o filhote receber as duas cópias ruins, e aí o defeito se mostra. Muitos desses genes matam o embrião antes de nascer. O ovo estava fértil, o embrião começou a se formar e parou no meio do caminho. No caderno de anotação isso fica registrado como eclosão baixa, mas a causa foi genética.

A segunda razão é a perda de vigor. Ter duas cópias diferentes do mesmo gene já é uma vantagem por si só, e a ave muito consanguínea perde essa vantagem em vários pontos ao mesmo tempo. As funções que sentem primeiro são as da reprodução: quantidade e movimentação do sêmen no galo, disposição para cobrir, regularidade da postura, qualidade da casca, resistência do embrião e força do pintinho para bicar a casca na hora de nascer.

Talvez você se pergunte por que a conta é cobrada aí, e não na cor da pena ou no formato da crista. É porque fertilidade e eclosão são as características que a natureza selecionou com mais rigor ao longo de milhões de anos. Foi ali que se acumulou a maior quantidade de genes ruins escondidos, e é ali que a perda de vigor pesa mais. Uma ave muito consanguínea pode nascer bonita, ir bem numa exposição e ainda assim deixar pouca descendência.

No dia a dia, os sinais aparecem mais ou menos nesta ordem
  • Ovo claro na ovoscopia, infértil de verdade
  • Anel de sangue nos primeiros dias, embrião que travou logo no começo
  • Pintinho formado que não consegue bicar, aquela mortalidade dos três últimos dias
  • Bico cruzado, perna aberta e pintinho miúdo entre os que nascem
  • Pintinho que nasce e não passa da primeira semana

Uma ressalva. Aqui não vamos dar um número fechado de quantos pontos de eclosão se perdem a cada 10% de consanguinidade. Esse valor muda muito de uma linhagem para outra, e quem tem a resposta certa para o seu plantel é o seu próprio registro de lote.

Também vale dizer que nem toda linhagem responde igual. Uma linha mais limpa de genes ruins suporta mais consanguinidade que outra, e é por isso que um criador consegue trabalhar com sangue fechado por mais gerações que o vizinho, sem que isso vire regra para todo mundo.

Como ler o resultado. A consanguinidade é a chance de o filhote receber duas cópias do mesmo gene de um ancestral repetido nos dois lados da família. Quanto mais alta, maior o risco de queda de fertilidade, de eclosão e de vigor — e maior também a chance de fixar um defeito escondido.
Até 6,25%Acasalamento tranquilo. É o caso de primos em primeiro grau ou parentesco mais distante.
12,5%Meio-irmãos, ou tio com sobrinha. Aceitável de forma pontual, para fixar uma característica.
25%Irmãos completos, ou pai com filha. Só com objetivo claro e por uma geração.
Acima de 25%Sangue muito repetido. Cada geração assim cobra o preço na fertilidade e no vigor.

Os dados ficam guardados só neste navegador, no seu computador — não passam por servidor nenhum. Por isso vale baixar a cópia do plantel de vez em quando: se você trocar de computador ou limpar o navegador, os dados vão embora.

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